DICIONÁRIO BAIANÊS EM CORDEL

Fala, galera!

Estou passando por aqui para dizer que tem cordel fresquinho na área. Sim, é o “Dicionário Baianês” e nele, através de septilhas de cordel, eu brinco um pouco com as expressões ue, na maioria das vezes, só ouvimos na Bahia. Espero que gostem e, se gostar, compartilha!

DICIONÁRIO BAIANÊS EM CORDEL

(Elton Magalhães)

Tô chegando por aqui

pra mostrar para vocês

Que a Bahia é inovadora

no uso do português

temos próprio linguajar

E aqui eu falar

Desse tal do Baianês.

O baiano não se cansa

Baiano fica “morgado”.

O baiano não tem pressa

O baiano é “afobado”.

Doença aqui não carece

Baiano não adoece:

Ele fica “barriado”.

Quem diz que ele é preguiçoso

Só pode agir de má-fé

tanto que ele bate o ponto

Depois de um acarajé.

Atentem-se à premissa:

baiano não tem preguiça,

Ele fica “de maré”.

Eu posso nesse cordel

Dizer sem preocupação

Que na boca do baiano

Tudo vira palavrão

E pode ser carinhoso

Esse modo indecoroso

de fazer declaração.

Se algo é muito bom

Ele diz que é “difudê”

O baiano é “fulêro”

Se não faz por merecer.

Se trai o amigo do lado:

“Cagoete descarado”

E o que mais aparecer.

Se tem um irmão mais novo

Ele chama de “arrombado”

De “titela”, “pombo sujo”

e até chama de bastardo.

Mas se é mais velho o irmão

E houver admiração

Ele é “barril dobrado”.

Baiano não vai pra longe

Vai na “puta que pariu”

Tudo que é perigoso

Ele chama de “Barril”

E de modo bem esperto

Ao invés de dizer “certo”

o baiano fala “viu”.

O baiano é generoso.

Quando a verdade desaba

Ele usa de eufemismo.

E o papo então acaba

Quando a coisa fica feira

‘Inda mais pra vida alheia

Diz que: “embolou o baba”.

Baiano não faz fofoca

E muito menos fuxico

A palavra verdadeira

Na Bahia é “futrico”

E quando numa conversa

Nada ali o interessa

Ele pergunta: “e kiko?”

Num “bafafá” de dar gosto

Quando envolve opinião

O baiano debochado

Só piora a confusão

Faz ecoar o seu eco

Oergunta: “conhece neco?”

E diz “né comigo não’.

O baiano não descansa

O baiano “quieta o facho”

Eu que sou um bom baiano

Em tudo isso me encaixo

Se eu procuro palhaçada,

Chego com “conversa errada”

Alguém diz: “deixe de xaxo”.

Baiano não faz bem feito

Dizem que o baiano “broca”

Na hora do futebol

Qualquer um vira Beijoca

E pro gol finalizar

O amigo vai gritar:

Poca, mizéra! Poca!

Lá nos guetos da Bahia

As gírias nascem do pé

Tem dela pra todo gosto.

Pra quem quer e quem não quer

Se alguém vê gente agachada

Vai dizer: “tá de quebrada”

ou melhor: tá de “keké”.

Por conta da pandemia

Ninguém botou uma “presença”.

E o bom baiano, na bruxa,

Correu logo pra despensa

Mas não tinha nada em casa.

Só restou “suco da EMBASA”.

E a larica foi suspensa.

Baiano não tem ferida

O baiano tem “pereba”.

E se vai na Feiraguai

Compra um celular bem peba.

Mas como ele é “queixão”

Chora na loja e então

Ganha uma capa de quebra.

O baiano não tem sorte

O baiano é “cagão”.

Baiano não leva bronca

Baiano “toma carão”.

Se ele está de brincadeira

Diz-se de outra maneira:

Que ele “tá de gastação”.

Baiano não desconfia

Baiano fica “cabrêro”.

O baiano é bom amigo

Fecha com ou sem dinheiro

Sempre disposto a colar

Pro amigo vai largar:

“E é como, meu parcêro?”

O baiano fica “em água”

Baiano não toma porre.

Baiano não agiliza

O baiano “faz o corre”

Se uma treta surgir

E você quer se eximir,

Diga assim: “quem souber morre”.

Aqui não tem água quente

Aqui tem água “pelando”.

O baiano não se perde

Ele fica se “passando”.

E se alguém o contradiz

O baiano logo diz:

“Cofoi, véi, tá me gastando?”

Buzú de ar-condicionado

Aqui se chama “frescão”.

O baiano bate o baba

E sente “dor de facão”

Quando ele quer discordar

Larga sem pestanejar:

“Porra niuma, mermão”

Na Bahia o pão francês

É chamado pão de sal.

E se ele sai quentinho

Do forno, é natural

Que o cara saia contente

Dizendo pra toda gente:

Rapaz, o pão tá “mil grau”.

Se alguém aparecer

Criando qualquer alarde

Usando a cara de pau

Numa postura covarde

Querendo sair de esperto

O baiano chega perto

E diz “a cara nem arde”.

Mulher bonita é “filé”

Se é feia é “fovêra”

Seja ela bem casada

Ou seja moça solteira.

Tem até uns “baixo-astral”

Que quando quer falar mal

Chama até de “badogueira”.

Baiano não fica esperto

Baiano fica “plantado”.

O baiano não se exibe

O baiano é amostrado.

Anote o que eu tô dizendo:

Baiano não sai correndo,

O baiano sai “picado”.

Por aqui não adianta

Mandar prestar atenção

Ser enfático e exigir

Seriedade à questão

Seja um sujeito esperto

Ande sempre “pelo certo”:

Mande “pegar a visão”.

Outra dica eu te darei,

E é certo, não leve a mal.

Se quer pedir por favor

De uma forma natural

Mostrando camaradagem

Pro baiano é mais vantagem:

Dizer assim: “na moral”.

Se ele quer ficar com alguém

Diz logo que vai “queixar”

Larga logo uns “baratino”

Com medo de vacilar

E a novinha já ligada

Diz: “deixe de presepada

E pare de arrudiar”.

E se a graça continua

E o papo tá “embaçado”:

– Feche a cara viu, coisinho!

– Feche a cara é cadeado

Tô te dando a “ideia-xeque”

Cê acha que eu sou moleque…

Quem se abre é descarado.

Baiano não verifica

O baiano “dá um saque”

Quando a coisa é muito séria

O baiano “sente o baque”

Mas leva a vida de boa,

Acompanhando a “patroa”,

Caprichando no sotaque.

Todos sabem que essa terra

É a terra da alegria.

Se alguém estiver nervoso

Diga: “deixe de agonia”

Mas se o bicho pegar

Aí só resta largar:

“Rapaz, fodeu a Bahia”

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